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Análise econômica e de mercado

Como a economia em forma de K afeta as oportunidades em ativos com garantias reais

Com a resiliência concentrada nas famílias de maior renda, investidores devem priorizar a qualidade e a estrutura dos investimentos em ABF vinculados ao consumo.
Como a economia em forma de K afeta as oportunidades em ativos com garantias reais
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Principais conclusões —

  • A divisão da economia em "forma de K" persiste, mesmo com as mudanças em sua dinâmica. Famílias de renda mais alta continuam se beneficiando dos ganhos no mercado acionário, da valorização dos imóveis e de lucros sólidos, enquanto famílias de renda mais baixa enfrentam pressões crescentes decorrentes dos custos elevados e das condições de crédito mais restritivas. No entanto, dados recentes sugerem que esse cenário está se tornando mais complexo.
  • Para investidores, o estresse atual do crédito ao consumidor parece idiossincrático, e não sistêmico. A fragilidade do segmento subprime está relacionada principalmente aos critérios de concessão de crédito adotados em determinadas safras de 2022 a 2024, e não a uma deterioração generalizada da qualidade dos tomadores. Diferentemente de 2008, não parece representar riscos sistêmicos.
  • Investidores devem priorizar uma abordagem disciplinada no crédito ao consumidor e  em outros investimentos em ativos com garantias reais vinculados às famílias. Acreditamos que investidores interessados em ABF atualmente devem priorizar alta qualidade, senioridade, qualidade das safras e a flexibilidade entre diferentes tipos de garantias, em vez de adotar um entusiasmo indiscriminado pela classe de ativos ou uma postura de cautela generalizada.

Nem todos os consumidores dos EUA estão vivenciando o atual cenário econômico da mesma forma. Famílias de renda mais alta continuam se beneficiando da valorização dos ativos e do crescimento sólido dos lucros, enquanto famílias de renda mais baixa ainda enfrentam os efeitos de anos de custos elevados e critérios mais rigorosos para a concessão de crédito.

Para investidores que atuam no segmento de crédito ao consumidor e em outros investimentos vinculados às famílias, especialmente ativos com garantias reais (asset-based finance, ou ABF), é importante compreender este cenário econômico desigual e sua evolução. O atual cenário econômico nos leva a priorizar investimentos selecionados de maior qualidade, lastreados em créditos a consumidores com situação financeira sólida, em vez de exposições ao segmento subprime e a outras áreas potencialmente vulneráveis.

O ABF – uma modalidade de crédito privado na qual os investimentos são respaldados por garantias específicas – também abrange setores não relacionados ao consumo, oferecendo oportunidades que podem ajudar investidores a diversificar e mitigar riscos específicos relacionados ao consumidor.

Figura 1: O patrimônio líquido das famílias aumentou como percentual da renda pessoal disponível

Fonte: Conselho do Federal Reserve, em 31 de dezembro de 2025

Enquanto isso, a metade inferior da distribuição de renda continua sob pressão, embora já não esteja se deteriorando de maneira uniforme. Dados recentes sobre empregos no setor privado e contas de depósito sugerem que o crescimento dos salários entre aqueles com renda mais baixa se acelerou ligeiramente no último ano, reduzindo a diferença que havia surgido em relação a pessoas de renda mais alta. Ao mesmo tempo, a geração de empregos ganhou força em determinados setores de remuneração mais baixa, incluindo segmentos beneficiados pelo aumento expressivo dos investimentos em infraestrutura relacionada à IA.

O resultado é uma economia que continua dividida, mas com uma separação talvez menos nítida do que antes. Em vez de uma simples divisão entre consumidores em situação financeira sólida e vulnerável, o mercado de trabalho parece apresentar cada vez mais segmentos de força e de fragilidade coexistindo. As contratações em geral continuam moderadas em comparação com os padrões históricos, mas trabalhadores de determinados setores seguem se beneficiando de aumentos salariais sólidos e oportunidades de emprego.

Isso cria uma dinâmica incomum. As famílias de renda mais baixa estão se beneficiando de certa melhora na renda do trabalho, mas muitas continuam enfrentando os efeitos acumulados de vários anos de preços elevados, esgotamento da poupança excedente e condições de crédito mais restritivas. Enquanto isso, as famílias de renda mais alta permanecem financeiramente seguras, mas podem estar mais expostas aos riscos emergentes associados à disrupção causada pela IA no emprego de profissionais qualificados.

Uma questão ainda em aberto é se a IA acabará reduzindo ou ampliando essas diferenças. Até o momento, a disrupção no mercado de trabalho tem se concentrado em ocupações profissionais de nível inicial e voltadas para a tecnologia, enquanto o crescimento do emprego na construção civil especializada se acelerou.

Figura 2: As taxas de inadimplência nos financiamentos subprime de veículos aumentaram acentuadamente em relação às dos financiamentos prime

Fonte: Intex, em 2 de junho de 2026

Como observado nos títulos lastreados em ativos (ABS) de financiamento subprime de veículos, uma parcela significativa do aumento na inadimplência de consumidores subprime nos últimos anos se deve à qualidade da análise de crédito em safras específicas de 2022 a 2024 – empréstimos originados quando a competição por volume era intensa – e não a um declínio mais amplo na qualidade de crédito dos tomadores. Desde então, os critérios de concessão de crédito se tornaram mais rigorosos e, fora do subprime, o desempenho tem sido relativamente estável.

Vale considerar se a atual fragilidade do subprime é um indicador antecedente de pressões mais amplas no futuro ou se, para que essas pressões se materializem, seria necessário um fator externo– como um choque significativo no mercado de trabalho ou o fim abrupto do ciclo de gastos de capital em IA.

Não acreditamos que a atual fragilidade do crédito subprime represente para a economia um risco semelhante ao provocado pela crise das hipotecas subprime em 2008. Não esperamos que este ciclo repita aquele período, quando a própria fragilidade dos balanços patrimoniais desencadeou a crise. Os atuais focos de pressão parecem mais restritos e associados a fatores idiossincráticos.

No entanto, essa avaliação precisa ser colocada à prova. Nossa preocupação aumentaria se o enfraquecimento do mercado de trabalho deixasse de se concentrar nos cargos de nível inicial e nas funções mais expostas à IA, resultando em perdas de emprego mais persistentes entre diferentes faixas de renda, ou se a situação financeira das famílias de renda mais alta — segmento que atualmente compensa a fragilidade da parte inferior do K — começasse a sofrer pressão.

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