O que diferencia o investimento ativo em renda fixa nos mercados atuais? Nesta sessão de perguntas e respostas, Mohit Mittal, CIO de Estratégias Core, avalia como a PIMCO aborda a construção de carteiras e a gestão de risco na busca por desempenho superior, ou alfa. Os vídeos que acompanham este conteúdo destacam oportunidades atuais em crédito, mercados globais e hipotecas.
P: Os investidores têm várias maneiras de aproveitar os rendimentos mais altos dos títulos atualmente, incluindo fundos passivos que acompanham índices e a construção de escadas (bond ladders) de títulos individuais. Por que considerar fundos de renda fixa com gestão ativa?
R: Os atuais rendimentos iniciais atrativos restabeleceram o papel dos títulos como fonte potencial de renda e retorno em uma carteira. Mas o rendimento é apenas o ponto de partida. Um gestor ativo pode buscar agregar valor por meio da seleção de títulos individuais, do posicionamento entre diferentes vencimentos, da alocação setorial e de decisões de valor relativo entre mercados.
A estrutura do mercado de títulos pode ampliar as oportunidades para a gestão ativa. Por exemplo, enquanto os índices de ações geralmente se baseiam na capitalização de mercado, os índices de renda fixa normalmente atribuem maior peso aos emissores com o maior volume de dívida em circulação. Assim, uma abordagem passiva pode ficar exposta aos tomadores mais endividados.
Alguns participantes do mercado de títulos, incluindo bancos centrais, seguradoras e fundos de pensão, podem ter restrições e objetivos que vão além da maximização dos retornos ajustados ao risco. A atuação desses participantes pode criar lacunas entre preço e valor fundamental que um gestor ativo pode buscar explorar, ao contrário de um índice passivo ou de uma escada de títulos construída mecanicamente.
P: O que é “alfa” e como a PIMCO busca gerá-lo de forma consistente?
R: Alfa é o retorno excedente que um gestor busca gerar acima de um benchmark de mercado relevante. Na PIMCO, nosso objetivo é que esse retorno excedente seja consistente, diversificado e replicável. A PIMCO organiza as fontes potenciais de alfa em três grandes categorias:
- Oportunidades estruturais: Ineficiências persistentes decorrentes da estrutura de mercado, da composição dos índices, das restrições dos investidores, das necessidades de liquidez e do acesso a transações.
- Posicionamento temático: Visões fundamentadas em pesquisas macroeconômicas, setoriais e "bottom-up", expressas em taxas de juros, crédito, hipotecas, moedas, mercados emergentes e outras áreas.
- Expressões oportunísticas: Posições assumidas quando a volatilidade, eventos de mercado ou vendas forçadas criam deslocamentos temporários de preços.
Valuation é o fio condutor. Buscamos identificar onde os investidores estão sendo adequadamente remunerados pelos riscos, em vez de partir de uma alocação setorial predeterminada.
P: Onde vemos oportunidades para gerar alfa atualmente?
R: Os mercados de renda fixa atuais podem oferecer oportunidades atrativas em várias áreas importantes.
Crédito
Uma abordagem ativa não exige uma visão amplamente otimista ou pessimista sobre crédito. A dispersão entre emissores, setores, estruturas e transações individuais pode ser mais importante do que a média geral do mercado.
Neste vídeo, Mohit Mittal e Sonali Pier analisam como a pesquisa "bottom-up", a seletividade, a disciplina e a análise de cenários podem ajudar a identificar oportunidades e riscos em meio ao forte crescimento dos investimentos relacionados à inteligência artificial.
Oportunidades globais
A volatilidade do mercado e ampla reprecificação dos rendimentos em diferentes países e maturidades criaram oportunidades. Por exemplo, as recentes ocorrências fiscais na França começaram a criar oportunidades nos mercados europeus de dívida soberana e crédito.
No vídeo que acompanha este conteúdo, Sachin Gupta e Pramol Dhawan comentam como a diversificação global pode contribuir tanto para a geração de alfa quanto para a resiliência da carteira em mercados desenvolvidos e emergentes.
Hipotecas
Hipotecas representam uma parcela grande e singular do universo de renda fixa de alta qualidade. Seu desempenho pode variar significativamente de acordo com o cupom, a estrutura, o comportamento de pagamento antecipado e cenário de taxas de juros. Essa complexidade cria espaço para a seleção ativa de títulos e análise de valor relativo que uma alocação baseada em índices pode não capturar.
No vídeo que acompanha este conteúdo, Daniel Hyman analisa como a visão da PIMCO sobre hipotecas e mercados securitizados contribui para a busca de alfa.
Nem toda posição funcionará. O objetivo é diversificar as fontes de alpha, dimensionar as posições de forma deliberada e preparar-se com antecedência para uma ampla gama de resultados.
P: Como a PIMCO transforma pesquisas e visões de mercado em decisões efetivas de carteira?
R: A geração de alfa começa com uma abordagem em equipe e análise de cenários. Consideramos como cada posição pode se comportar tanto no cenário-base quanto diante de resultados econômicos e de mercado significativamente diferentes.
As visões da empresa como um todo são debatidas no Comitê de Investimentos. Especialistas levam ao Comitê de Investimentos e aos CIOs oportunidades específicas de cada setor e perspectivas de mercado. O processo combina análise macroeconômica e de políticas top-down, pesquisa bottom-up de títulos e emissores, contribuições de gestores de portfólio especializados e traders mais próximos de cada mercado, além de um processo de construção de carteira que determina quais ideias utilizar, o tamanho que devem ter e como podem interagir com o restante da carteira.
A análise de risco é contínua e inclui revisões formais mensais e análises de cenários em torno de possíveis resultados de cauda fora do cenário-base. A liquidez também é uma parte fundamental da construção da carteira. Manter liquidez pode permitir que nossa equipe forneça liquidez quando outros investidores são forçados a vender.
P: Em última análise, o que os investidores devem esperar que um gestor ativo de renda fixa ofereça?
R: Um gestor ativo pode partir das condições de mercado, incluindo um rendimento inicial competitivo, e buscar gerar retorno excedente incremental a partir de múltiplas fontes diversificadas.
Um gestor ativo de renda fixa pode construir uma carteira para atravessar uma série de cenários, com uma gestão de risco disciplinada que considere cenários de baixa e possa preservar a flexibilidade para reagir aos movimentos dos mercados. Um gestor ativo pode oferecer acesso a ideias estruturais, temáticas e oportunísticas em diferentes setores, países, moedas e mercados públicos e privados. Uma abordagem ativa considera a volatilidade e a dispersão como fontes potenciais de valor relativo.
A gestão ativa não consiste em fazer uma única previsão ousada. Trata-se de encontrar repetidamente riscos bem remunerados, combiná-los de forma criteriosa e construir uma carteira que possa permanecer resiliente quando as condições econômicas e de mercado evoluírem de forma diferente do esperado.