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Estratégias de investimento

Atualização da Estratégia Income: onde renda e resiliência se encontram

Dan Ivascyn, CIO do Grupo PIMCO, explica por que resiliência, qualidade e diversificação global são mais importantes do que buscar risco em meio a conflitos geopolíticos, tensões no crédito e ao boom da IA.
Atualização da Estratégia Income: onde renda e resiliência se encontram
Headshot of Daniel J. Ivascyn
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Principais conclusões

  • A incerteza é certa: responda com resiliência. Com conflitos geopolíticos, tensões no crédito privado e a IA remodelando rapidamente os mercados, a Estratégia Income está adotando uma postura defensiva, preferindo qualidade, liquidez e diversificação global em vez de buscar risco incremental.
  • Os títulos parecem baratos: deixe que os rendimentos façam o trabalho pesado. Os rendimentos da renda fixa de alta qualidade permanecem próximos das máximas de 20 anos e atrativos em relação tanto ao cash quanto às ações. Rendimentos iniciais elevados representam um importante fator de retorno.
  • As oportunidades são promissoras: mantenha a diversificação. As oportunidades mais atrativas abrangem hipotecas de agências, crédito securitizado e mercados de títulos públicos em mercados desenvolvidos e emergentes, enquanto a exposição a crédito corporativo está próxima das mínimas históricas, uma vez que os spreads permanecem apertados. Continuamos ágeis para aproveitar oportunidades à medida que os períodos de estresse criam pontos de entrada.

Os mercados estão lidando com o conflito no Oriente Médio, a crescente tensão no crédito privado e um boom de IA com potencial para redefinir o cenário econômico global. Dan Ivascyn, CIO do Grupo PIMCO, conversa com a estrategista Prerna Gupta sobre a importância de enfatizar a resiliência com títulos de alta qualidade.

P: No horizonte secular dos próximos cinco anos, quais forças impulsionarão a economia global e quais são as implicações para os investidores?

R: A incerteza é a única constante, e continua aumentando. A política e a geopolítica determinam cada vez mais os resultados econômicos, em vez do contrário – vemos isso nas tarifas, no Oriente Médio e nas tensões entre a China e o Ocidente. Com a inflação ainda elevada e o espaço fiscal limitado, bancos centrais e governos têm menos margem para direcionar os mercados, e as economias estão se tornando dessincronizadas. Isso traz mais risco, mas também mais espaço para a gestão ativa agregar valor, com vencedores e perdedores mais claramente definidos no mundo todo.

A tecnologia é outro grande tema que destacamos em nossa Perspectiva Secular. Em nosso cenário-base, acreditamos que, no longo prazo, a IA deverá favorecer a produtividade e o crescimento e exercer um efeito desinflacionário ao longo do tempo. O boom da IA está ampliando as diferenças entre as economias, com países ligados à inovação em IA, como EUA, Coreia e Taiwan, apresentando bom desempenho, enquanto grande parte da Europa continental tem ficado para trás. Essa diferença tem criado oportunidades de valor relativo.

P: Com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, como a PIMCO espera que o crescimento e a inflação evoluam no curto prazo, e o que poderia desviar esse cenário de sua trajetória?

R: O conflito no Oriente Médio provocou um choque de energia que parece estar se intensificando novamente. Isso significa que a inflação pode permanecer acima da meta por mais tempo, com riscos em ambas as direções. A inflação mais alta no curto prazo volta a colocar um possível aperto monetário de bancos centrais na equação e, com os valuations de ações e crédito elevados, isso pode provocar volatilidade negativa. Dito isso, se o conflito perder força, os preços da energia poderão se normalizar, enquanto a IA pode gerar pressões desinflacionárias.

Com o crescimento, a situação é semelhante. Choques de energia geralmente criam primeiro problemas de inflação. Mas, se não forem resolvidos rapidamente, podem acabar se transformando em problemas de crescimento. O cenário-base da PIMCO pressupõe alguma estabilidade no Oriente Médio, e continuamos positivos em relação ao crescimento nos EUA e em outras economias que se beneficiam de novas tecnologias. Estamos cautelosamente otimistas e realizando testes de estresse nas carteiras para cenários em que a inflação permanece alta e o crescimento desacelera. Essa combinação pode ser difícil para os mercados de crédito, e é por isso que estamos priorizando a resiliência em nossas estratégias de renda.

P: Com a divergência das políticas dos bancos centrais, o que você esperado do Fed para o resto do ano sob a nova presidência?

R: Até o momento, temos uma avaliação positiva de Warsh, presidente do Federal Reserve. Por enquanto, o foco do Fed parece ser colocar a inflação sob controle. Neste momento, esperamos que o Fed mantenha as taxas de juros estáveis até o fim do ano, embora isso dependa muito dos dados. Temos uma leve inclinação para que as taxas terminem o ano abaixo do que o mercado espera. É positivo que hoje existam muitas maneiras de buscar retornos que não dependem de prever o próximo passo do Fed.

P: Em um mercado no qual a resiliência importa mais do que buscar risco, como a equipe está posicionando a Estratégia Income, inclusive em termos de exposição à duration e à curva de juros, para buscar renda atrativa e valorização do capital?

R: Nosso foco continua sendo proporcionar um fluxo de renda estável e competitivo e buscar preservar o capital em diferentes condições de mercado, sem deixar de buscar a valorização do capital. Os rendimentos nos segmentos de maior qualidade do mercado estão próximos dos níveis mais altos em cerca de 20 anos, e não apenas nos EUA. Algumas das oportunidades mais atrativas estão no exterior, em economias com déficits menores e qualidade de crédito mais forte, ou em áreas menos propensas ao superaquecimento por não estarem se beneficiando do mesmo boom da IA. Ao administrar ativamente oportunidades globais, acreditamos que podemos agregar valor ao longo do tempo.

Aumentamos ligeiramente nosso posicionamento em duration, ou exposição a taxas de juros, à medida que as taxas subiram, e nosso posicionamento está mais diversificado. Após anos concentrados em maturidades mais curtas, vimos uma forte liquidação global de títulos de prazo mais longo, por isso deslocamos parte da exposição para maturidades mais longas, com rendimentos que não víamos há décadas. Fora dos EUA, mantemos posições em juros na Austrália e no Reino Unido e preferimos os segmentos de maior qualidade dos mercados emergentes (ME), negociando-os ativamente em busca de retorno adicional e redução da volatilidade.

P: Títulos hipotecários emitidos por agências (MBS) estão entre as alocações de maior qualidade da estratégia. Sua visão mudou neste trimestre?

R: As taxas hipotecárias atingiram recentemente máximas locais, e nossos modelos de valuation de longa data indicam que os valuations das hipotecas parecem justos. Justo é bastante atraente quando os spreads de crédito corporativo estão próximos dos níveis mais apertados já registrados. É importante destacar que as hipotecas de agências contam com garantia do governo dos EUA ou de uma agência americana – são de alta qualidade, têm um perfil de liquidez favorável e oferecem rendimentos razoavelmente elevados.

Com a recente volatilidade das taxas de juros, negociamos ativamente essa exposição, mantendo ao mesmo tempo uma alocação relevante. Estamos fazendo alguns ajustes nas hipotecas que mantemos: durante anos, preferimos hipotecas com cupons mais altos, e isso funcionou, mas, com a alta dos rendimentos, otimizamos as posições em toda a estrutura de cupons para aquilo que acreditamos oferecer valor atrativo.

P: No crédito securitizado, o desempenho se tornou mais heterogêneo. Onde estão as oportunidades mais atrativas e como lidamos com a diferença entre tomadores mais fortes e mais fracos?

R: De modo geral, os balanços das famílias americanas estão sólidos, mas, abaixo da superfície, observamos uma divergência crescente. Proprietários de imóveis de renda média e alta estão em situação muito favorável, com níveis recordes de patrimônio imobiliário, enquanto famílias de menor renda enfrentam preços mais altos e crescimento mais lento dos salários. Diante dessa tendência, temos um viés de maior qualidade em nossas posições de crédito securitizado. Esse é um segmento do mercado que se beneficiou da melhora nos critérios de concessão de crédito e da força da parte superior da curva em K.

Dito isso, a narrativa deste ano tem sido a fragilidade nos empréstimos diretos e no crédito corporativo de menor qualidade, com os problemas do crédito privado se espalhando para outras áreas de maior risco. Estamos criando um lastro de estabilidade em nossa carteira com exposições resilientes e de alta qualidade em crédito securitizado e, nos próximos trimestres, esperamos realocar gradualmente para outras áreas do crédito corporativo à medida que surgirem oportunidades.

P: Os spreads de crédito corporativo parecem apertados. Onde você ainda vê valor e em que áreas estão sendo mais cautelosos?

R: Nossa exposição a crédito corporativo está próxima do menor nível de todos os tempos para a estratégia, justamente porque os spreads estão muito apertados. Como nosso cenário-base prevê que a economia continuará crescendo em ritmo saudável, estamos buscando alternativas ao crédito corporativo tradicional que ajudem a manter o rendimento e, ao mesmo tempo, ofereçam mitigação de risco caso as condições se deteriorem. Já mantemos alternativas de alta qualidade que oferecem valor relativo atrativo, incluindo hipotecas de agências, produtos securitizados e Treasury Inflation-Protected Securities (TIPS). Nas posições em que mantemos crédito corporativo, preservamos liquidez sempre que possível, usando índices diversificados para negociar exposições mais genéricas e buscando aproveitar o aumento da liquidez desse mercado.

Algo que monitoramos há muitos anos, mas que temos observado com mais frequência nos últimos períodos, é a engenharia financeira, por exemplo, por meio de securitizações. Estamos vendo casos em que ativos ilíquidos são transformados em ativos líquidos, riscos de baixa qualidade são convertidos e recebem um rating de alta qualidade. Essas práticas estão se tornando mais agressivas e merecem monitoramento. Isso justifica uma postura mais defensiva pela primeira vez desde a crise financeira global.

Também vemos três áreas que parecem cada vez mais interessantes. Construímos uma carteira pequena, mas relevante, de alocações oportunísticas em infraestrutura de energia e tecnologia de maior qualidade. Temos o cuidado de não manter uma exposição excessiva, dada a incerteza em torno desses setores, mas as necessidades de financiamento são tão grandes que conseguimos originar algumas operações atrativas.

Outra oportunidade é atuar onde os empréstimos diretos e o crédito privado estão sob pressão, enquanto muitos gestores de crédito privado permanecem à margem à medida que o fluxo de operações aumenta. Por fim, o conflito no Oriente Médio gerou volatilidade, permitindo-nos originar operações atrativas em crédito de mercados emergentes, enquanto mantemos posições em emissores com ratings mais elevados.

P: Ainda nesse tema de mercados emergentes e câmbio, onde você vê as oportunidades mais interessantes e qual é a visão sobre o dólar americano?

R: Em mercados emergentes, ainda gostamos da classe de ativos como fonte de diversificação, mas preferimos manter a qualidade elevada e focar em emissores maiores, próximos do investment grade, como México, África do Sul e Brasil, por exemplo. Reduzimos a exposição a mercados de fronteira e importadores de energia, pois o cenário recomenda cautela mesmo onde os valuations parecem baratos. O ponto principal é que a diversificação global deve tornar a carteira mais resiliente e pode acrescentar um rendimento atrativo em comparação com a busca de crédito corporativo nos níveis apertados de spreads atuais.

A estratégia tem uma pequena alocação em moedas, e acreditamos que elas continuarão oferecendo oportunidades táticas. O dólar americano se enfraqueceu no início do ano e depois se recuperou quando começou o conflito no Oriente Médio e a perspectiva de taxas de curto prazo mais altas nos EUA ganhou força. Se essa incerteza persistir, é provável que o dólar continue sustentado. Mantemos apenas uma pequena posição underweight, preferindo moedas de maior qualidade e maior rendimento em detrimento das menos atrativas.

P: O mercado de títulos parece bastante diferente do que era há alguns anos. Como os investidores devem avaliar o papel da renda fixa atualmente?

R: A principal diferença é que os títulos estão muito mais baratos hoje do que em 2021. Quer se considerem os rendimentos nominais ou os rendimentos reais – o que sobra depois da inflação –, estamos em alguns dos níveis mais atrativos dos últimos anos, tanto em relação ao cash quanto aos valuations das ações.

Minha sugestão é ter paciência e pensar no longo prazo. Em um horizonte de cinco anos, acreditamos que os investidores têm maior probabilidade de obter seu rendimento em renda fixa de alta qualidade. Durante muito tempo, os investidores presumiram que o rendimento inicial era tudo o que poderiam esperar. Nós o vemos como um piso, com alocações globais ativas buscando adicionar retornos suplementares acima desse nível. Sempre haverá ruído em torno de políticas, bancos centrais e geopolítica, mas, ao focarmos na abundância de renda disponível hoje, podemos ter paciência e deixar que o rendimento faça o trabalho pesado.

P: Alguma consideração final para os clientes ao olharmos para o segundo semestre de 2026?

R: Agradeço a confiança que vocês depositam na PIMCO. Estamos mais confiantes do que nunca no valor que a gestão ativa de renda fixa oferece hoje. A Estratégia Income utiliza todo o nosso conjunto de ferramentas como investidores globais ativos para construir uma carteira resiliente e diversificada, sempre buscando oferecer renda e retornos sólidos ao longo do tempo para nossos clientes.

1 Os títulos hipotecários emitidos pela Ginnie Mae (GNMA) contam com a garantia incondicional do governo dos Estados Unidos. Os títulos emitidos pela Freddie Mac (FHLMC) e pela Fannie Mae (FNMA) contam com a garantia da agência de pagamento em dia do principal e dos juros, mas não com a garantia incondicional do governo dos EUA.

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