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Análise econômica e de mercado

Spreads podem estar convergindo entre os mercados público e privado, mas a liquidez, não

Os esforços para tornar o crédito privado negociável enfrentam obstáculos e correm o risco de minar uma das principais razões pelas quais os investidores recorrem a ativos privados: obter um prêmio de iliquidez.
Spreads May Be Converging Across Public and Private Markets, But Liquidity Is Not
Spreads podem estar convergindo entre os mercados público e privado, mas a liquidez, não
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Propostas para arquitetar a negociação secundária de ativos privados, frequentemente defendidas por críticos ferrenhos da liquidez dos mercados públicos, ganharam um novo momentum. Para alguns, o aumento da negociabilidade é visto como um remédio para o crescente desconforto com a ausência de sinais de valuations transparentes e em tempo real nas carteiras privadas. Para outros, a negociação secundária é apresentada como uma forma de mitigar o “jump risk” em carteiras de crédito de empréstimo direto, nas quais os empréstimos geralmente são mantidos ao par até que os fundamentos se deteriorem e a reprecificação se torne inevitável.

Esse debate está se desenrolando em um contexto importante. A liquidez do mercado de crédito público hoje é tão forte quanto em qualquer momento desde a crise financeira global, enquanto os spreads entre o empréstimo direto menos líquido e o crédito público mais líquido se comprimiram de forma significativa nos últimos anos.

Para investidores, isso levanta uma questão fundamental: estou sendo adequadamente compensado pela iliquidez que estou assumindo nos mercados privados? Em nossa opinião, a resposta muitas vezes é não, particularmente no crédito corporativo. A promessa de maior liquidez secundária em ativos privados está, em alguns casos, sendo usada para justificar uma erosão significativa do prêmio de iliquidez no empréstimo direto em relação aos mercados públicos, em vez de efetivamente melhorar os resultados para os investidores.

De forma mais estrutural, vemos vários obstáculos importantes à criação de liquidez significativa no crédito privado:

  1. Transferência autorizada de empréstimos: Ao contrário dos mercados públicos, muitos documentos de crédito privado exigem que os tomadores deem consentimento a qualquer venda ou transferência de seu empréstimo por parte do (s) credor (es) registrado (s).
  2. Assimetria de informações: No crédito privado, os compradores muitas vezes não têm acesso aos contratos de crédito, aos detalhes das alterações, aos pacotes de garantias ou a documentos financeiros padronizados. Essas informações têm sido fundamentais para gerar confiança e liquidez nos mercados públicos, e são completamente improvisadas no atual mercado de crédito privado.
  3. Confidencialidade: Acordos de confidencialidade muitas vezes são exigidos para que qualquer informação seja compartilhada com potenciais compradores dos empréstimos, o que amplia a assimetria de informações.
  4. Falta de infraestrutura de negociação: Os mercados de crédito privado não contam com infraestrutura centralizada de reporte, execução ou liquidação, elementos que se tornaram parte integrante da construção de uma liquidez robusta nos mercados públicos. Embora os mercados públicos e as operações de colocação privada 144A possam ser negociadas sem dificuldade, muitas operações privadas com investment grade (IG) e de empréstimo direto enfrentam o desafio adicional da liquidação física, que pode ser onerosa tanto para compradores quanto para vendedores.
  5. Incentivos: Nem todos os participantes dos mercados privados têm o mesmo interesse em um aumento da liquidez. Alguns preferem a opacidade dos mercados privados, enquanto outros querem evitar a volatilidade da marcação a mercado, mais comum nos mercados públicos.

Mesmo que alguns desses obstáculos sejam superados, os mercados privados existem justamente porque muitos ativos são idiossincráticos e negociados, o que torna a formação contínua de preços difícil e, muitas vezes, economicamente ineficiente. As tentativas de forçar liquidez nesses mercados tendem a resultar em negociações pouco volumosas, spreads amplos entre compra e venda e sinais de preço pouco confiáveis. Em vez de melhorar a transparência, negociações secundárias esporádicas muitas vezes introduzem ruído, refletindo necessidades de liquidez, e não os fundamentos subjacentes.

Figura 1: Mercados líquidos para colocações privadas 144A

Fonte: Dados da Financial Industry Regulatory Authority (FINRA) dos EUA, cálculos da PIMCO em 28 de fevereiro de 2026

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